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Selic alta e inflação em desaceleração: por que o brasileiro ainda não sente alívio no bolso?

Casal analisa contas domésticas enquanto gráfico representa a desaceleração da inflação e destaque informa que a taxa Selic permanece em 14,25% ao ano, ilustrando os impactos da economia no orçamento das famílias brasileiras.
Mesmo com a desaceleração da inflação, a manutenção da Selic em 14,25% ao ano continua influenciando o custo do crédito e o orçamento das famílias brasileiras.

Publicado em 15/07/2026 / 09:30

Por Ricardo São Pedro (@radiumweb)


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Os números mais recentes da economia brasileira trazem uma notícia aparentemente positiva: as expectativas para a inflação voltaram a cair e os últimos indicadores vieram abaixo do esperado pelo mercado. Isso fortaleceu a percepção de que o ciclo de juros elevados pode estar se aproximando do fim.


Apesar disso, basta conversar com qualquer família brasileira para ouvir uma frase recorrente:


"Nada ficou mais barato."


A percepção popular parece contradizer os indicadores econômicos. Na verdade, ela apenas revela uma diferença importante entre aquilo que a inflação mede e aquilo que realmente acontece com o orçamento doméstico.


Essa diferença merece atenção porque influencia decisões de consumo, investimentos e planejamento financeiro.


Inflação menor não significa preços menores


Existe um equívoco bastante comum.


Quando se divulga que a inflação diminuiu, muitas pessoas imaginam que os preços começaram a cair.


Não é isso que acontece.


Na prática, significa apenas que os preços continuam aumentando, porém em velocidade menor.

Imagine um automóvel.


Se ele estava a 100 km/h e reduz para 60 km/h, continua andando para frente.


Com os preços ocorre exatamente o mesmo.


Os alimentos, os serviços, os planos de saúde, a mensalidade escolar e diversos outros itens continuam subindo. Apenas sobem em um ritmo inferior ao observado anteriormente.


É justamente por isso que o consumidor dificilmente percebe uma melhora imediata.


O efeito acumulado pesa muito mais


Outro aspecto pouco discutido é o efeito acumulado.


Os aumentos registrados nos últimos anos permanecem incorporados aos preços atuais.


Mesmo que a inflação retorne ao centro da meta, dificilmente veremos uma redução significativa dos preços de maneira generalizada.


O novo patamar passa a ser considerado o "normal" da economia.


Esse é um dos motivos pelos quais tantas famílias afirmam que "o dinheiro rende menos".


Na prática, ele realmente compra menos do que comprava alguns anos atrás.


A Selic continua elevada por um motivo


Ao mesmo tempo em que a inflação mostra sinais de desaceleração, a taxa básica de juros permanece em nível elevado segundo as expectativas do mercado.


Isso acontece porque o Banco Central trabalha olhando para o futuro.


Se houver redução dos juros antes da consolidação da estabilidade dos preços, existe o risco de um novo ciclo inflacionário.


É uma escolha difícil.


Juros elevados encarecem:


  • financiamento imobiliário;

  • crédito para empresas;

  • empréstimos pessoais;

  • compras parceladas.


Por outro lado, ajudam a controlar a expansão do consumo e, consequentemente, a pressão sobre os preços.


Quem sente mais esse cenário?


Nem todos são impactados da mesma maneira.


Quem depende de crédito frequentemente sofre mais.


Já quem possui reserva financeira passa a encontrar oportunidades interessantes em investimentos de renda fixa.


Essa diferença evidencia um ponto essencial da educação financeira.


A organização das finanças pessoais reduz a dependência de empréstimos justamente nos momentos em que o dinheiro fica mais caro.


Educação financeira é uma proteção contra os ciclos econômicos


Nenhum cidadão consegue controlar:


  • a inflação;

  • a Selic;

  • o dólar;

  • os conflitos internacionais;

  • as decisões do governo.


Mas todos podem controlar alguns aspectos fundamentais:


  • o tamanho da reserva de emergência;

  • o nível de endividamento;

  • os hábitos de consumo;

  • o planejamento de investimentos;

  • a disciplina financeira.


É justamente por isso que educação financeira não deve ser vista apenas como um conjunto de cálculos.


Ela representa uma ferramenta de adaptação aos diferentes momentos da economia.


Quanto maior a capacidade de planejamento, menor a vulnerabilidade diante das mudanças do cenário econômico.


O que observar nos próximos meses


Os próximos meses continuarão sendo marcados pelo acompanhamento de três indicadores principais:


  • comportamento da inflação;

  • decisões sobre a taxa Selic;

  • evolução das contas públicas.


O mercado financeiro reduziu recentemente suas projeções para a inflação deste ano, embora elas permaneçam acima do centro da meta oficial.


Ao mesmo tempo, investidores acompanham sinais de quando poderá começar um ciclo consistente de redução dos juros.


Independentemente do calendário dessas decisões, permanece uma lição importante.


Quem constrói uma boa organização financeira sofre menos com as oscilações da economia.


E isso vale tanto em períodos de inflação elevada quanto em momentos de maior estabilidade.


Infográfico


Infográfico de economia com moedas, gráfico em queda e seta vermelha; inflação desacelera, mas o bolso não sente.

Perguntas frequentes (FAQ)


A inflação caiu. Os preços vão diminuir?

Não necessariamente. A inflação menor significa apenas que os preços continuam subindo, mas em ritmo mais lento.

Por que o Banco Central mantém juros elevados?

Para evitar que a inflação volte a acelerar e comprometa a estabilidade econômica.

Juros altos são ruins para todos?

Não. Eles encarecem o crédito, mas também aumentam a rentabilidade de diversos investimentos de renda fixa.

Como a educação financeira ajuda nesse cenário?

Ela reduz a dependência de empréstimos, fortalece a reserva de emergência e melhora a tomada de decisões sobre consumo e investimentos.

Sobre o autor:


Ricardo São Pedro é engenheiro civil, educador financeiro e planejador financeiro. Atua na promoção da educação financeira e da cidadania por meio de artigos, palestras, programas de rádio e projetos de comunicação.


É cofundador e apresentador da Radium, onde produz conteúdos sobre economia, finanças, gestão pública e desenvolvimento humano.








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