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Raio X do investidor brasileiro: mais gente quer investir, mas o aperto financeiro ainda pesa

Pesquisa mostra avanço no interesse por investimentos no Brasil, mas renda apertada, baixa reserva de emergência, golpes e bets ainda preocupam.


Homem pensativo diante de gráficos de crescimento e alerta financeiro, com bandeira do Brasil ao fundo, representando o aumento do interesse por investimentos em contraste com dificuldades financeiras, golpes e apostas online.
Mais brasileiros querem investir, mas a realidade ainda impõe limites: renda apertada, pouca reserva e riscos crescentes mostram que o desafio começa antes da escolha do investimento.

Publicado em 29/04/2026 / 08:00

Por Ricardo São Pedro (@radiumweb)


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O novo Raio X do Investidor Brasileiro mostra que o país avançou na cultura de poupança e investimento, mas ainda convive com um problema central: para muita gente, o dinheiro mal dá para fechar o mês. A pesquisa revela mais conhecimento sobre produtos financeiros, maior uso de canais digitais para aprender sobre investimentos e crescimento do número de brasileiros que conseguem economizar. Mesmo assim, investir ainda está longe de ser uma realidade para a maioria da população.


Em 2025, 33% dos brasileiros conseguiram economizar algum dinheiro, 24% fizeram algum tipo de investimento ao longo do ano e 36% tinham aplicações financeiras, o equivalente a 60,6 milhões de pessoas investidoras. O dado mostra evolução em relação aos últimos cinco anos, mas também reforça um contraste importante: 64% da população ainda não investe em produtos financeiros.


Os dados apresentados ao longo desta análise têm como base o Raio X do Investidor Brasileiro 2026, elaborado pela ANBIMA em parceria com o Datafolha, que consolida uma das leituras mais abrangentes sobre o comportamento financeiro da população no país.


O Brasil avançou nos investimentos, mas o ritmo ainda é lento


O crescimento da cultura de investimento no país aconteceu de forma gradual. Entre 2021 e 2025, aumentou a fatia de pessoas que conseguiram guardar dinheiro, cresceu o número de brasileiros que fizeram algum tipo de investimento no ano e também subiu a parcela dos que conhecem produtos financeiros espontaneamente. Os dados de 2025, porém, indicam uma espécie de estabilidade, sem grandes saltos em relação ao ano anterior.


Na prática, isso significa que o tema investimento entrou mais no radar da população, mas ainda esbarra em limitações muito concretas do dia a dia. O interesse existe, a curiosidade também, mas a vida real continua impondo barreiras para transformar intenção em ação.


O principal obstáculo para investir continua sendo a falta de folga no orçamento


Entre as pessoas que não guardam dinheiro de nenhuma forma, 82% apontam condições financeiras desfavoráveis como principal motivo. A percepção de “falta de dinheiro” continua no centro do problema, mostrando que a dificuldade de investir não nasce apenas da falta de informação, mas principalmente da pressão sobre o orçamento doméstico.


A pesquisa mostra ainda que cerca de um terço da população gasta mais do que ganha. Esse grupo é mais vulnerável financeiramente: economiza menos, investe menos, tem mais dívidas em atraso e menos reserva para emergências. Entre quem vive com despesas acima da renda, apenas 15% conseguiram economizar em 2025, bem abaixo dos 33% observados na população em geral.


Esse ponto é decisivo para quem fala de educação financeira de forma séria. Antes de discutir produto, rentabilidade ou carteira diversificada, muita gente ainda está tentando resolver o básico: pagar contas, fugir do atraso e fazer o salário durar até o fim do mês.


A poupança ainda lidera, mas o brasileiro começa a diversificar mais


A poupança continua sendo o investimento mais usado no Brasil e é citada por 22% da população. Mas entre as pessoas que já investem, ela perdeu espaço ao longo dos últimos anos. O uso da caderneta caiu de 75% para 61% em cinco anos, enquanto outros produtos passaram a ocupar mais espaço nas carteiras.


O destaque vai para os títulos privados, que cresceram de 8% para 20% entre investidores, e para os fundos de investimento, que subiram de 9% para 14%. O movimento sugere que uma parte dos brasileiros que já entrou no mundo dos investimentos está saindo da concentração total na poupança e buscando alternativas de maior diversificação.


Outro dado importante é o avanço do conhecimento. A parcela da população que consegue citar espontaneamente algum investimento subiu de 28% para 43% em cinco anos, alcançando o maior nível da série histórica. Isso mostra que o assunto ficou mais presente nas conversas, nas redes e no cotidiano das pessoas.


YouTube, Instagram e IA mudam a forma de aprender sobre investimentos


A jornada de informação financeira está cada vez mais digital. Entre os investidores, o YouTube aparece novamente como o principal canal para buscar conteúdo sobre investimentos, seguido pelo Instagram. A televisão, que já teve mais peso, perdeu relevância ao longo dos últimos cinco anos.


A pesquisa também trouxe um dado novo e simbólico: 9% dos investidores já usam assistentes de inteligência artificial para buscar informações sobre investimentos. Embora ainda seja um comportamento inicial, ele já supera canais como Facebook, e-mail, TikTok e rádio. O perfil de quem usa IA tende a ser mais jovem, masculino, de maior renda e com carteira mais diversificada.


Esse cenário reforça uma oportunidade enorme para blogs, portais e canais de conteúdo: quem consegue explicar dinheiro de forma simples, clara e confiável tem espaço para crescer, porque existe demanda real por informação prática e acessível.


Educação financeira ainda alcança pouca gente


Apesar da maior circulação do tema, a educação financeira formal ainda chega a uma parcela pequena da população. Apenas 21% dos brasileiros afirmam já ter participado de aula, curso, palestra ou treinamento sobre educação financeira. Entre os investidores, esse número sobe para 33%, mas entre os não investidores cai para 14%.


O estudo mostra também que conhecimento e comportamento andam juntos. Pessoas com maior escolaridade e participação em atividades de educação financeira tendem a acertar mais questões básicas sobre juros e a demonstrar menor imediatismo nas decisões envolvendo dinheiro. Em resumo: informação de qualidade não resolve tudo, mas ajuda a melhorar escolhas financeiras concretas.


Reserva de emergência existe, mas muitas vezes não dura muito


Uma das informações mais importantes da pesquisa é a que trata da reserva de emergência. Em 2025, 69% da população disseram ter algum dinheiro guardado para emergências, mas esse dado precisa ser lido com cautela. Entre essas pessoas, 43% afirmam que a reserva seria consumida em até seis meses, e quase um terço da população não tem qualquer valor guardado para imprevistos.


Entre os investidores, a situação é melhor, mas ainda assim limitada. Já entre os não investidores, a fragilidade aumenta bastante: 42% não possuem reserva alguma, e apenas uma minoria conseguiria atravessar um período mais longo de aperto sem comprometer totalmente as finanças.


Esse retrato mostra que o Brasil até avançou no hábito de guardar dinheiro, mas ainda precisa transformar “alguma reserva” em “proteção real”. Ter dinheiro guardado é importante; ter tempo de fôlego em uma crise é ainda mais.


Aposentadoria continua sendo um ponto frágil no planejamento financeiro


Quando o assunto é futuro, os dados também acendem alerta. Entre os não aposentados, 60% esperam contar com a previdência pública para se manter na velhice. Ao mesmo tempo, apenas 16% já começaram a formar uma reserva para a aposentadoria, o menor nível da série histórica.


Do outro lado, a experiência de quem já se aposentou mostra um choque de realidade: 93% dos aposentados dependem do INSS. A distância entre o que as pessoas imaginam e o que realmente acontece indica que o planejamento de longo prazo continua sendo adiado, muitas vezes por causa da urgência das despesas do presente.


Golpes financeiros se tornaram parte do problema


A edição de 2025 incluiu pela primeira vez um recorte específico sobre fraudes e golpes financeiros, e os números são preocupantes. 34% da população relataram ter passado por pelo menos uma situação de fraude ou golpe ao longo do ano. Entre os casos mais citados estão links falsos enviados por e-mail, SMS ou redes sociais, compras em lojas virtuais falsas, WhatsApp clonado, boletos falsos e uso indevido de cartão.


Entre os investidores, a incidência é ainda maior: 42% afirmaram ter sofrido algum desses episódios. O dado sugere que a digitalização ampliou o acesso aos serviços financeiros e à informação, mas também aumentou a exposição a armadilhas, exigindo mais atenção com segurança digital.


O dinheiro continua afetando diretamente a saúde mental dos brasileiros


A relação do brasileiro com o dinheiro segue marcada por forte pressão emocional. O indicador de estresse financeiro calculado pela pesquisa mostra que 47% da população está em nível alto de estresse financeiro e 48% em nível médio. Ou seja: a imensa maioria convive com algum grau de tensão quando o assunto é dinheiro.


Entre as preocupações mais presentes estão a necessidade de aumentar a renda, controlar melhor as finanças e evitar compras desnecessárias. Pessoas com alto estresse financeiro tendem a poupar menos, investir menos, ter menos reserva e carregar mais dívidas em atraso. É um ciclo que afeta não só o bolso, mas também a qualidade de vida.


Bets crescem e ainda confundem parte da população


As bets também ganharam destaque no levantamento. Em 2025, 17% dos entrevistados disseram ter feito apostas online, número maior do que o observado na edição anterior. A principal motivação continua sendo ganhar dinheiro rápido em caso de necessidade, citada por 39% dos apostadores.


O sinal de alerta aparece quando a aposta passa a ser confundida com estratégia financeira: 20% dos apostadores enxergam as bets como investimento. Além disso, a pesquisa identificou que 11% dos apostadores apresentam alto risco de vício. O tema merece atenção porque mistura impulso, necessidade financeira e falsa promessa de solução rápida.


O que o Raio X do investidor brasileiro revela de verdade


O grande recado da pesquisa é simples e forte ao mesmo tempo: o brasileiro está mais interessado em dinheiro, investimentos e planejamento financeiro, mas ainda enfrenta obstáculos muito concretos para transformar esse interesse em estabilidade. O país avançou em conhecimento, ampliou o número de investidores e começou a diversificar mais as carteiras. Só que o cotidiano segue apertado, o estresse financeiro continua alto, a reserva é curta, a aposentadoria é mal planejada e novos riscos digitais entraram de vez no jogo.


No fim das contas, investir no Brasil não começa apenas no momento em que alguém escolhe um produto financeiro. Muitas vezes, começa antes: quando a pessoa consegue sair do aperto, organizar o orçamento, criar uma pequena reserva e ganhar confiança para dar o próximo passo.


Infográfico


Infográfico sobre investidores brasileiros: 36% investem, 82% têm falta de dinheiro como obstáculo. Gráficos e ícones ilustram dados.

Assista ao vídeo relacionado no YouTube:



FAQ - Raio X do Investidor 2026


O que é o Raio X do Investidor Brasileiro?

É uma pesquisa anual da Anbima, realizada em parceria com o Datafolha, que acompanha o comportamento financeiro da população brasileira, incluindo hábitos de poupança, investimentos, fontes de informação, planejamento e vulnerabilidades financeiras. Em 2025, foram realizadas 5.832 entrevistas com pessoas de 16 anos ou mais nas cinco regiões do país.

Quantos brasileiros investem hoje em produtos financeiros?

Segundo a pesquisa, 36% da população brasileira tinha aplicações financeiras em 2025, o equivalente a 60,6 milhões de pessoas. Apesar do avanço, 64% da população ainda não investe em produtos financeiros.

Qual é o investimento mais usado no Brasil?

A poupança continua sendo o investimento mais utilizado, citada por 22% da população. Entre investidores, porém, ela perdeu espaço nos últimos anos, enquanto cresceram os títulos privados e os fundos de investimento.

O brasileiro está preparado para emergências financeiras?

Ainda não totalmente. Embora 69% digam ter algum dinheiro guardado para emergências, 43% consumiriam tudo em até seis meses, e quase um terço da população não possui nenhuma reserva.

O estudo fala sobre bets e golpes financeiros?

Sim. A pesquisa mostra que 17% dos entrevistados fizeram apostas online em 2025 e que 20% dos apostadores veem as bets como investimento. Também aponta que 34% da população passou por alguma situação de fraude ou golpe financeiro no ano.


Fonte


Relatório Raio X do Investidor Brasileiro 2026, produzido pela ANBIMA em parceria com o Datafolha.


9ª Edição do Raio X do Investidor Brasileiro



Ricardo São Pedro é engenheiro civil com MBA em Planejamento Financeiro Pessoal e Familiar. Atua como educador e planejador financeiro, promovendo a educação financeira como instrumento de cidadania e transformação social. Idealizador da web rádio Radium, produz e apresenta programas que integram finanças, bem-estar e temas relevantes para a vida dos brasileiros. Também assina artigos no blog da rádio e participa de projetos voltados à inclusão e à segurança financeira de famílias.

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