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PISA 2025: o retrato da educação brasileira e os caminhos para melhorar a aprendizagem

há 3 minutos
7 min de leitura
Estudante brasileira em sala de aula, diante de livros e elementos educacionais, ilustra os desafios apresentados pelo PISA 2025 e os caminhos para melhorar a qualidade da educação no Brasil.
PISA 2025: os resultados revelam os desafios da educação brasileira e a necessidade de fortalecer as políticas públicas para melhorar a aprendizagem.

Coluna Ricardo São Pedro


Publicado em 08/11/2026 / 11:35

Por Ricardo São Pedro (@radiumweb)


Ouça o Artigo

A educação é um dos principais pilares do desenvolvimento econômico e social de qualquer país. É por meio dela que uma sociedade amplia suas oportunidades, desenvolve competências, estimula a inovação e cria condições para melhorar a qualidade de vida de sua população.


Mas como saber se estamos avançando?


Uma das maneiras de responder a essa pergunta é observar os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).


A avaliação mede conhecimentos e habilidades de estudantes de 15 anos em três áreas fundamentais: matemática, leitura e ciências. Seu objetivo não é simplesmente verificar o conteúdo aprendido em sala de aula, mas avaliar a capacidade dos jovens de utilizar o conhecimento para interpretar situações, resolver problemas e tomar decisões.


Os resultados brasileiros de 2025, quando comparados aos de 2022, apresentam um quadro que merece atenção: apesar de pequenas oscilações nas pontuações, não houve evolução estatisticamente significativa em nenhuma das três áreas avaliadas.


É um sinal de que precisamos fortalecer nossas políticas educacionais e, principalmente, melhorar a capacidade de transformar recursos, planejamento e ações pedagógicas em aprendizagem efetiva.


O que dizem os números de 2022 e 2025?


A comparação das médias brasileiras mostra o seguinte cenário:


Área

PISA 2022

PISA 2025

Variação

Matemática

379

377

-2

Leitura

410

408

-2

Ciências

403

409

+6


Em matemática e leitura, houve uma redução de dois pontos. Em ciências, um crescimento de seis pontos.


Entretanto, a OCDE considera que essas diferenças não são estatisticamente significativas. Isso significa que não temos evidências suficientes para afirmar que o desempenho brasileiro melhorou ou piorou nesse intervalo.


Na prática, o que encontramos é um quadro de estabilidade.


O problema é que essa estabilidade acontece em um patamar de aprendizagem muito distante do observado nos países com melhor desempenho educacional.


O Brasil no ranking internacional


A posição brasileira no ranking também ajuda a dimensionar o desafio.


Na edição de 2022, participaram 81 países e economias. Em 2025, esse número chegou a 91.


Considerando as classificações por disciplina, o Brasil apareceu nas seguintes posições aproximadas:


Área

PISA 2022

PISA 2025

Matemática

65º

71º

Leitura

52º

52º

Ciências

62º

67º


Essas posições precisam ser interpretadas com cautela. O número de participantes mudou, e pequenas diferenças de pontuação podem alterar a classificação. Além disso, os resultados devem ser analisados considerando os intervalos de confiança e os empates estatísticos.


O ranking, portanto, não deve ser utilizado isoladamente para medir a evolução educacional.


Ainda assim, a distância em relação aos países que apresentam melhores resultados é um alerta importante. O Brasil precisa melhorar sua capacidade de garantir que os estudantes desenvolvam as competências fundamentais esperadas para sua idade.


O problema está na aprendizagem básica


Talvez a informação mais preocupante do PISA não seja a posição no ranking, mas o percentual de estudantes que não alcança o nível mínimo de proficiência.


Em matemática, apenas 28% dos estudantes brasileiros atingiram pelo menos o nível 2, considerado pela OCDE como uma referência básica de aprendizagem. Na média dos países da organização, esse percentual foi de 65%.


Em leitura, aproximadamente 49% dos estudantes brasileiros alcançaram esse patamar, contra 69% na média da OCDE.


Em ciências, cerca de 48% atingiram pelo menos o nível 2, enquanto a média da OCDE chegou a 74%.


Esses indicadores revelam uma dificuldade que ultrapassa os limites de uma disciplina escolar.

Um estudante que apresenta dificuldades para interpretar textos, compreender relações matemáticas e analisar informações científicas terá obstáculos também em sua vida profissional, financeira e social.


A capacidade de interpretar um contrato, compreender uma taxa de juros, avaliar uma informação divulgada nas redes sociais ou analisar dados de uma pesquisa depende diretamente dessas competências.


Portanto, melhorar a aprendizagem não é apenas uma questão educacional. É também uma estratégia de desenvolvimento econômico e de fortalecimento da cidadania.


O que precisa ser melhorado?


Se os resultados permanecem praticamente estáveis, precisamos discutir quais condições são necessárias para produzir uma mudança consistente.


Não existe uma solução isolada. A melhoria da educação depende de um conjunto articulado de políticas públicas, com objetivos claros, financiamento adequado, gestão eficiente e avaliação permanente.


Algumas frentes merecem prioridade.


1. Alfabetização na idade certa


A aprendizagem começa nos primeiros anos de vida escolar.


É fundamental garantir que todas as crianças estejam alfabetizadas até o final do segundo ano do ensino fundamental, conforme a meta estabelecida na política nacional de alfabetização.


Uma criança que não desenvolve adequadamente a leitura e a escrita nos primeiros anos tende a acumular dificuldades nas etapas seguintes.


Isso exige acompanhamento individualizado, formação de professores, materiais pedagógicos adequados e identificação precoce das dificuldades de aprendizagem.


2. Fortalecimento do ensino de matemática


Os resultados mostram que matemática é uma das maiores fragilidades da educação brasileira.


Precisamos melhorar a formação dos professores, desenvolver metodologias de ensino que aproximem a disciplina da realidade dos estudantes e garantir uma progressão adequada dos conteúdos ao longo da vida escolar.


O ensino deve estimular o raciocínio lógico, a interpretação de problemas e a capacidade de utilizar conhecimentos matemáticos em situações concretas.


3. Valorização e formação dos professores


Nenhuma política educacional alcança resultados consistentes sem professores preparados e valorizados.


É necessário investir na formação inicial e continuada, melhorar as condições de trabalho, oferecer apoio pedagógico e criar mecanismos que favoreçam a permanência dos profissionais nas escolas.


A valorização docente não deve ser tratada apenas como uma questão salarial. Envolve também reconhecimento profissional, condições adequadas de trabalho e oportunidades de desenvolvimento.


4. Gestão escolar orientada para resultados


A qualidade da gestão escolar influencia diretamente o ambiente de aprendizagem.


Diretores e coordenadores pedagógicos precisam de instrumentos para acompanhar o desempenho dos estudantes, identificar dificuldades, orientar professores e organizar intervenções.


A escola precisa trabalhar com planejamento pedagógico, metas de aprendizagem e acompanhamento sistemático dos resultados.


A gestão deve ter autonomia responsável e capacidade de tomar decisões com base em evidências.


5. Recuperação da aprendizagem


As dificuldades não podem ser simplesmente transferidas de uma série para outra.


Precisamos fortalecer programas de recuperação, tutoria e acompanhamento individualizado, especialmente para estudantes que apresentam defasagens importantes.


A identificação precoce dos problemas permite intervenções mais eficientes e reduz o risco de abandono escolar.


6. Redução das desigualdades educacionais


A oportunidade de aprender não pode depender da renda familiar ou do endereço onde o estudante mora.


As diferenças socioeconômicas influenciam as condições de aprendizagem e precisam ser consideradas na formulação das políticas públicas.


Isso exige atenção especial às escolas em territórios vulneráveis, com investimentos em infraestrutura, alimentação, transporte, tecnologia e apoio pedagógico.


A distribuição dos recursos deve considerar as necessidades de cada rede e de cada comunidade escolar.


7. Educação em tempo integral com qualidade


Ampliar o tempo de permanência na escola pode contribuir para melhorar a aprendizagem, desde que essa ampliação esteja associada a um projeto pedagógico consistente.


Não basta manter o estudante mais horas dentro da escola.


É necessário oferecer atividades que fortaleçam a leitura, a matemática, as ciências, a cultura, o esporte, a tecnologia e o desenvolvimento socioemocional.


O tempo adicional precisa produzir oportunidades reais de aprendizagem.


Precisamos melhorar também os indicadores de gestão educacional


Outro aspecto fundamental é a capacidade de acompanhar os resultados das políticas públicas.

O PISA é uma importante referência internacional, mas seus resultados não são suficientes para orientar, isoladamente, a gestão educacional brasileira.


Precisamos de indicadores que permitam identificar os problemas antes que eles se transformem em dificuldades permanentes.


Entre os principais indicadores que merecem acompanhamento estão:


  • Alfabetização das crianças até o final do segundo ano do ensino fundamental.

  • Percentual de estudantes que atingem níveis adequados de aprendizagem em língua portuguesa e matemática.

  • Evolução da aprendizagem entre o início e o final de cada etapa escolar.

  • Frequência, abandono e evasão escolar.

  • Taxas de conclusão do ensino fundamental e médio na idade adequada.

  • Formação, disponibilidade e permanência dos professores.

  • Infraestrutura e condições de funcionamento das escolas.

  • Desigualdades de aprendizagem entre regiões, redes de ensino e grupos socioeconômicos.

  • Investimento por estudante e relação entre recursos aplicados e resultados alcançados.


Esses indicadores precisam estar associados a metas, responsáveis, prazos e mecanismos de acompanhamento.


Uma política pública não deve ser considerada bem-sucedida apenas porque foi implementada ou porque recebeu recursos. É necessário verificar se produziu os resultados esperados.


Nesse sentido, a gestão educacional precisa fortalecer uma cultura de planejamento, monitoramento, avaliação e aperfeiçoamento contínuo.


Educação exige continuidade e visão de longo prazo


Os resultados educacionais não mudam de maneira significativa de um ano para outro.


A formação de professores, a alfabetização, a melhoria da infraestrutura escolar e o desenvolvimento das competências dos estudantes são processos que exigem continuidade.


Por isso, a educação precisa ser tratada como uma política de Estado, com cooperação entre União, estados e municípios, financiamento previsível e objetivos de longo prazo.


Também é importante fortalecer a participação das famílias, das comunidades e dos profissionais da educação.


A escola não funciona isoladamente. A aprendizagem depende de um ambiente que valorize o conhecimento, estimule a curiosidade e ofereça condições para que crianças e jovens desenvolvam suas capacidades.


O desafio é transformar educação em aprendizagem


Os resultados do PISA 2025 mostram que o Brasil continua enfrentando dificuldades importantes para melhorar a aprendizagem de seus estudantes.


A estabilidade das pontuações entre 2022 e 2025 não significa que nada tenha sido feito, mas demonstra que os resultados alcançados ainda não foram suficientes para modificar estruturalmente o desempenho educacional do país.


Precisamos olhar para esses números sem exageros e sem conformismo.


O objetivo não deve ser simplesmente conquistar posições melhores em um ranking internacional. O verdadeiro desafio é garantir que nossos estudantes saibam ler, interpretar, raciocinar, resolver problemas e utilizar o conhecimento para construir suas próprias oportunidades.


Uma educação de qualidade amplia a produtividade, fortalece a cidadania, reduz desigualdades e cria condições para o desenvolvimento econômico e social.


O Brasil precisa avançar na qualidade da gestão educacional, na formação dos professores, na alfabetização, na recuperação da aprendizagem e na utilização de indicadores que permitam corrigir os problemas ao longo do caminho.


A pergunta que precisamos fazer não é apenas quanto investimos em educação, mas quanto desse investimento está efetivamente se transformando em conhecimento.


Porque o verdadeiro resultado de uma política educacional não está no número de escolas construídas ou de matrículas realizadas. Está naquilo que cada estudante consegue aprender e levar para a vida.


Sobre o Autor:


Ricardo São Pedro é engenheiro civil com MBA em Planejamento Financeiro Pessoal e Familiar. Atua como educador e planejador financeiro, promovendo a educação financeira como instrumento de cidadania e transformação social. Idealizador da web rádio Radium, produz e apresenta programas que integram finanças, bem-estar e temas relevantes para a vida dos brasileiros. Também assina artigos no blog da rádio e participa de projetos voltados à inclusão e à segurança financeira das famílias.

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