Seu patrimônio está crescendo ou apenas acompanhando a inflação?

Coluna Planeje seu Dinheiro
Publicado em 15/10/2026 / 10:00
Por Ricardo São Pedro (@radiumweb)
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Imagine que você tinha R$ 100 mil investidos e, depois de um ano, seu saldo chegou a R$ 110 mil. À primeira vista, o resultado parece excelente: seu patrimônio aumentou R$ 10 mil, uma rentabilidade de 10%.
Mas existe uma pergunta importante: quanto os preços aumentaram nesse mesmo período?
Se a inflação acumulada foi de 5%, seu dinheiro passou a comprar mais do que antes, mas o ganho efetivo foi menor do que os 10% exibidos no extrato. Considerando esses números, o crescimento real do patrimônio foi de aproximadamente 4,76%, antes de impostos e taxas.
Esse exemplo mostra por que acompanhar apenas o saldo bancário pode levar a uma interpretação incompleta da evolução financeira.
Rentabilidade nominal não é ganho real
A rentabilidade nominal representa o percentual de crescimento do investimento sem descontar a inflação. Já a rentabilidade real considera quanto esse rendimento aumentou o poder de compra do dinheiro.
Para uma estimativa simples, podemos subtrair a inflação da rentabilidade nominal. Entretanto, o cálculo mais preciso utiliza a seguinte fórmula:
Rentabilidade real = [(1 + rentabilidade nominal) ÷ (1 + inflação)] − 1
No exemplo anterior, temos:
Patrimônio inicial: R$ 100.000
Patrimônio final: R$ 110.000
Rentabilidade nominal: 10%
Inflação no período: 5%
Rentabilidade real: aproximadamente 4,76%
Na prática, o cálculo deve considerar o mesmo período para o rendimento e para a inflação. Para avaliar quanto efetivamente sobrou ao investidor, também é necessário descontar impostos e custos aplicáveis.
O efeito acumulado da inflação
A inflação não afeta apenas o resultado de um ano. Ao longo do tempo, a elevação dos preços reduz o poder de compra de uma quantia que permanece sem rendimento suficiente para compensá-la.
Por isso, um investimento que apresenta saldo crescente pode não estar ampliando o patrimônio em termos reais. Se sua rentabilidade ficar abaixo da inflação, haverá perda de poder de compra, mesmo que o saldo nominal seja maior.
Essa diferença é especialmente importante para objetivos de longo prazo, como aposentadoria, aquisição de um imóvel ou formação de uma reserva para o futuro. O valor necessário para alcançar esses objetivos também pode aumentar com o passar dos anos.
Como acompanhar o crescimento real do patrimônio?
Você pode começar com um exercício simples. Escolha um investimento e registre cinco informações:
Saldo inicial do período.
Saldo atual.
Rentabilidade nominal acumulada.
Inflação acumulada no mesmo intervalo.
Ganho ou perda real, considerando também os custos quando aplicáveis.
Esse acompanhamento ajuda a comparar resultados com mais clareza. Também permite verificar se o investimento continua adequado ao objetivo para o qual foi escolhido.
É importante lembrar que cada aplicação tem características próprias. Liquidez, risco, prazo e tributação também devem ser considerados, e uma rentabilidade passada não garante resultados futuros.
O objetivo de investir não é apenas fazer o saldo aumentar. É preservar e, quando possível, ampliar o poder de compra do patrimônio.
Afinal, dinheiro que aumenta de número não necessariamente aumenta de valor. O crescimento financeiro precisa ser medido pelo que seu patrimônio permite realizar hoje e pelo que poderá proporcionar no futuro.
Sobre o Autor:
Ricardo São Pedro é engenheiro civil com MBA em Planejamento Financeiro Pessoal e Familiar. Atua como educador e planejador financeiro, promovendo a educação financeira como instrumento de cidadania e transformação social. Idealizador da web rádio Radium, produz e apresenta programas que integram finanças, bem-estar e temas relevantes para a vida dos brasileiros. Também assina artigos no blog da rádio e participa de projetos voltados à inclusão e à segurança financeira das famílias.
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