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Selic cai para 13,75%: o que diz a nova Ata do Copom

há 3 minutos
5 min de leitura

Banco Central reduz novamente a taxa básica de juros, mas mantém cautela diante da inflação, das expectativas desancoradas e dos riscos para os preços


Selic cai para 13,75% após nova decisão do Copom em setembro de 2026
Copom reduz a Selic para 13,75%, mas mantém cautela diante dos riscos para a inflação.

Publicado em 22/09/2026 / 21:00

Por Ricardo São Pedro (@radiumweb)


Ouça o Artigo

A Selic caiu de 14,00% para 13,75% ao ano na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) realizada nos dias 15 e 16 de setembro de 2026. Foi o segundo corte consecutivo de 0,25 ponto percentual, em decisão unânime.


Mas a nova Ata do Copom mostra que a redução dos juros não representa uma mudança para uma política monetária expansionista. O Banco Central continua considerando necessário manter os juros em nível restritivo para garantir a convergência da inflação para a meta.


A principal mensagem da Ata pode ser resumida assim: a economia está desacelerando, a inflação melhorou, mas ainda existem riscos importantes que exigem cautela.


A economia começa a desacelerar


O Copom observa uma moderação gradual da atividade econômica, especialmente nos setores mais sensíveis ao ciclo econômico.


O PIB do segundo trimestre confirmou essa desaceleração, enquanto o crédito também começa a apresentar sinais mais claros dos efeitos da política monetária restritiva. As modalidades de crédito de prazo mais longo, por exemplo, vêm apresentando redução.


Isso indica que os juros elevados já estão produzindo efeitos sobre a demanda.


Mercado de trabalho continua forte


Apesar da desaceleração da economia, o mercado de trabalho permanece aquecido.


O desemprego continua em níveis historicamente baixos, embora o crescimento da ocupação e dos rendimentos esteja perdendo velocidade. Os rendimentos reais, entretanto, continuam crescendo acima da produtividade do trabalho.


Esse cenário ajuda a explicar por que o Copom ainda acompanha com atenção a força da demanda interna.


Inflação melhorou, mas ainda preocupa


A inflação ao consumidor e as medidas de núcleo apresentaram redução e permanecem abaixo do limite superior do intervalo de tolerância.


Mesmo assim, continuam acima da meta.


Além disso, alguns preços ao produtor voltaram a acelerar, mostrando que ainda existem pressões ao longo da cadeia produtiva.


Portanto, o cenário de inflação melhorou, mas ainda não permite ao Banco Central abandonar a cautela.


Expectativas continuam sendo um ponto de atenção


Um dos principais problemas apontados pelo Copom continua sendo o comportamento das expectativas de inflação.


Segundo a pesquisa Focus considerada na Ata, as expectativas estão em 4,9% para 2026 e 4,3% para 2027.


Para o Banco Central, expectativas desancoradas dificultam o processo de desinflação e exigem uma política monetária mais restritiva por mais tempo.


Esse é um dos principais motivos pelos quais a redução da Selic deve ser interpretada com cautela.


Projeções de inflação


No cenário de referência do Copom, a projeção de inflação está em:


  • 5,2% para 2026;

  • 3,9% para 2027;

  • 3,2% no primeiro trimestre de 2028.


As projeções para 2026 e 2027 tiveram uma pequena piora em relação à reunião anterior.


Mesmo assim, o Copom decidiu reduzir a Selic, considerando também os efeitos acumulados da política monetária sobre a atividade econômica e a demanda.


Os riscos continuam elevados


A Ata destaca que os riscos para a inflação permanecem mais elevados que o usual e apresentam assimetria para cima.


Entre os fatores que podem pressionar a inflação estão as expectativas desancoradas, possíveis efeitos de petróleo e derivados, questões climáticas, inflação de serviços, câmbio depreciado e estímulos à demanda.


Ao mesmo tempo, uma desaceleração econômica mais intensa, no Brasil ou no exterior, poderia contribuir para reduzir as pressões inflacionárias.


E a política fiscal?


A política fiscal continua aparecendo como uma preocupação importante para o Banco Central.


O Copom destaca que a condução das contas públicas influencia tanto a demanda no curto prazo quanto a percepção de sustentabilidade da dívida e o prêmio de risco da economia.


Para o Comitê, maior incerteza fiscal pode elevar a taxa de juros neutra e dificultar o processo de convergência da inflação.


Por isso, a Ata volta a destacar a importância de políticas fiscais previsíveis, críveis e compatíveis com a estabilidade macroeconômica.


A Selic vai continuar caindo?


A nova Ata não estabelece uma trajetória predeterminada para os próximos cortes.


O Copom afirma que continuará avaliando a evolução do cenário e ajustando a magnitude da calibração da política monetária conforme os dados.


Isso significa que novos cortes são possíveis, mas dependerão principalmente da evolução da inflação, das expectativas, da atividade econômica, do mercado de trabalho, do crédito e dos riscos fiscais e externos.


O Banco Central não está prometendo uma sequência automática de reduções.


O que isso significa para o seu dinheiro?


Para quem investe, uma Selic de 13,75% ainda representa um nível elevado de juros.


A queda da taxa básica não significa que a renda fixa deixou de ser interessante. Ela indica, porém, que o investidor precisa começar a considerar com mais atenção prazo, risco, diversificação e proteção contra a inflação.


Para quem possui dívidas, a redução de 0,25 ponto percentual também não significa uma queda imediata e proporcional dos juros cobrados pelos bancos.


Nesse cenário, continua sendo importante priorizar o pagamento das dívidas mais caras e evitar assumir novos compromissos apenas porque a Selic começou a cair.


A principal mensagem da nova Ata


A decisão de reduzir a Selic para 13,75% mostra que o Banco Central reconhece que a política monetária está produzindo efeitos.


A atividade econômica desacelerou, o crédito começa a responder e a inflação corrente apresentou melhora.


Mas o cenário ainda exige cautela.


As expectativas continuam desancoradas, a inflação permanece acima da meta e os riscos seguem elevados, especialmente no sentido de novas pressões sobre os preços.


Por isso, a melhor maneira de interpretar a nova decisão talvez seja esta:


o Copom continua retirando lentamente o pé do freio, mas ainda não soltou o pedal.


A Selic caiu para 13,75%, mas a política monetária continua restritiva.


E os próximos passos dependerão menos da decisão tomada agora e muito mais dos dados que serão conhecidos nos próximos meses.


Infográfico


Infográfico sobre Copom: Selic cai para 13,75% em setembro de 2026, com Banco Central e destaques econômicos.


Ata do Copom para Leitura na Íntegra:



Perguntas Frequentes - FAQ


Por que a Selic caiu para 13,75%?

O Copom reduziu a Selic porque a atividade econômica está desacelerando, os efeitos da política monetária sobre o crédito estão aparecendo e a inflação corrente apresentou melhora. Ao mesmo tempo, o Banco Central continua mantendo uma política monetária restritiva.

A nova Ata não estabelece uma trajetória automática para os juros. Os próximos movimentos dependerão da evolução da inflação, das expectativas, da atividade econômica, do mercado de trabalho e dos demais riscos acompanhados pelo Copom.

Significa que a taxa básica de juros continua elevada, embora esteja em processo de redução. Para consumidores e investidores, seus efeitos aparecem principalmente no custo do crédito, na remuneração da renda fixa e nas condições gerais da economia.

São expectativas de inflação que permanecem acima da meta estabelecida, dificultando a convergência da inflação e exigindo maior esforço da política monetária.

A queda dos juros altera as condições de remuneração dos investimentos, especialmente da renda fixa pós-fixada. Por isso, o investidor precisa considerar prazo, risco, liquidez, inflação e diversificação.

Não necessariamente. A redução da Selic influencia as condições de crédito, mas não significa uma queda imediata e proporcional das taxas cobradas pelos bancos.


Sobre o Autor:


Ricardo São Pedro é engenheiro civil com MBA em Planejamento Financeiro Pessoal e Familiar. Atua como educador e planejador financeiro, promovendo a educação financeira como instrumento de cidadania e transformação social. Idealizador da web rádio Radium, produz e apresenta programas que integram finanças, bem-estar e temas relevantes para a vida dos brasileiros. Também assina artigos no blog da rádio e participa de projetos voltados à inclusão e à segurança financeira das famílias.

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