Se eu não estiver aqui, como meu filho vai viver?
Toda criança depende de sustento, cuidado, proteção e estrutura, por isso o planejamento é fundamental

Publicado em 30/10/2026 / 18:00
Por Fellipe Filomeno (@blogdofilomeno) (@apoefoficial)
Ouça o Artigo
Daniel é meu filho. Desde o início eu sabia que era uma criança atípica e, com o tempo, compreendi melhor suas necessidades e o nível de suporte de que precisa. Sempre fui organizado financeiramente e já ouvi algumas vezes aquela frase: "É fácil se organizar quando não se tem filhos." Nunca acreditei nisso. Todo mundo tem responsabilidades dentro da realidade que vive. O que muda é a complexidade. E a minha aumentou.
Conviver com Daniel me mostrou que decisões simples precisam ser pensadas de outra forma. Uma saída, uma viagem, um restaurante ou uma atividade qualquer podem exigir mais planejamento. Nem toda experiência vai até o fim. Nem toda opção atende ao que ele precisa. Às vezes, aquilo que seria uma escolha simples para outra família passa a depender de ambiente, alimentação, conforto, previsibilidade e suporte.
Dinheiro, para mim, sempre foi ferramenta. Mas hoje essa ferramenta tem um sentido ainda mais claro: segurança e cuidado. Ter mais recursos ou administrar melhor o que se tem amplia nossa capacidade de oferecer suporte, preservar escolhas e construir tranquilidade para quem depende de nós. Isso me leva a uma pergunta que considero necessária para qualquer família: se eu não estiver aqui, como meu filho vai viver?
Essa não é uma pergunta exclusiva de quem tem uma criança atípica. Toda criança depende de alguém. Todas precisam de sustento, cuidado, proteção e estrutura. No caso de uma criança com maiores necessidades de suporte, porém, essa dependência pode ser mais longa, mais intensa e exigir planejamento por toda a vida.
Por isso, eu não penso apenas na minha aposentadoria. Penso também em como construir uma fonte de renda capaz de ajudar a financiar o cuidado com Daniel quando eu não estiver mais aqui. Dinheiro compra tempo — e, no futuro, pode comprar o tempo de alguém preparado para prestar o suporte de que ele necessita.
Essa responsabilidade muda decisões hoje. Já adiei troca de carro, viagens e experiências que eu poderia pagar. Não porque viver bem seja errado. Eu gosto de conforto, de boa comida, de bons lugares e de experiências que valem a pena. Mas existe uma diferença entre poder pagar por algo hoje e poder pagar sem comprometer aquilo que precisa existir amanhã.
Planejamento, nesse contexto, não é perfeccionismo. É reconhecer o que não pode ser colocado em risco. É construir uma proteção para o presente e, ao mesmo tempo, preparar uma estrutura que continue funcionando quando a nossa presença já não for suficiente.
Talvez você nunca tenha pensado nisso. Talvez esteja adiando essa conversa. Ou talvez já tenha pensado, mas não saiba como agir. Comece pela pergunta: se eu não estiver aqui, como vai viver quem hoje depende de mim?
Se essa pergunta te alcançou, me procure. Podemos conversar, trocar experiências — de uma família para outra — e, se fizer sentido, pensar em caminhos possíveis. Às vezes, o primeiro passo do planejamento não é uma conta. É a coragem de fazer a pergunta certa.
Sobre o Autor:
Fellipe Filomeno é educador financeiro e planejador financeiro pessoal e familiar, criador do Blog do Filomeno. Atua com organização financeira, comportamento financeiro e planejamento de vida. Associado da APOEF.
.png)

.jpeg)




Comentários