O professor e a educação financeira
O Brasil enfrenta uma crise silenciosa de analfabetismo financeiro e a escola é o espaço mais democrático para mudar essa realidade.

Publicado em 15/10/2026 / 18:00
Por Assis Moreira (@prof_assismoreira) (@apoefoficial)
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Gosto muito do conceito de educação financeira que diz: “Educação Financeira é o processo de adquirir conhecimentos e desenvolver habilidades para gerenciar o dinheiro de forma inteligente e consciente”. Esse conceito nos remete diretamente à busca constante de conhecimento, pesquisar o tema, debater e principalmente desenvolver habilidades para cuidar melhor das nossas finanças pessoais.
Educação Financeira é um tema de grande relevância para qualquer país, mas especialmente para um país como o Brasil, uma vez que nós brasileiros enfrentamos grandes dificuldades para lidar com dinheiro, e isso se deve principalmente à falta de conhecimento e de habilidades básicas sobre o tema dinheiro.
Enfrentamos uma série de problemas, como o excessivo número de famílias endividadas, um altíssimo índice de inadimplência e pouquíssimo conhecimento em investimentos. Essa falta de conhecimento nos limita a acreditar em um futuro melhor, a idealizar algum projeto, a sonhar e a criar expectativas para nossas vidas e das nossas famílias.
Por isso, é de fundamental importância promovermos Educação Financeira para a nossa sociedade, educando as pessoas de forma que possam tomar sempre as melhores decisões quando o assunto envolve dinheiro.
Educação financeira representa uma competência imprescindível para qualquer pessoa, mas, infelizmente, muitas famílias não falam sobre o tema em casa, seja por falta de hábito, seja por falta de conhecimento. Essa falta de diálogo no lar faz com que a escola por muitas vezes assuma esse papel.
Por que precisamos de Educação Financeira nas escolas
No Brasil, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) incluiu a educação financeira entre os temas contemporâneos transversais. Isso significa que o assunto não pertence a uma única disciplina: ele pode e deve atravessar o currículo. E quem faz essa travessia acontecer, na prática, é o professor.
Os números a seguir revelam um cenário preocupante: 55% dos brasileiros admitem entender pouco (40%) ou nada (15%) de educação financeira (Observatório Febraban, junho/2025); 64,3% dos brasileiros não sabem identificar boas opções financeiras; apenas 24% possuem carteira de investimentos ( I-SFB/Febraban, 2024); e 82% das famílias estavam endividadas em julho de 2026 (CNDL), com 83,9 milhões de adultos inadimplentes (Serasa, julho/2026).
O Brasil enfrenta uma crise silenciosa de analfabetismo financeiro e a escola é o espaço mais democrático para mudar essa realidade.
Crianças, adolescentes e jovens absorvem hábitos de quem admiram. Um professor que fala sobre dinheiro com naturalidade e segurança transmite, antes de qualquer conteúdo, a mensagem de que o tema é acessível e importante.
A maioria dos adultos nunca aprendeu a lidar com dinheiro de forma estruturada. Crescemos tomando decisões financeiras por tentativa e erro — e as consequências, muitas vezes, são dívidas, imprevistos e insegurança. Isso se deve ao fato de não termos aprendido educação financeira na escola, uma vez que na nossa época o tema não fazia parte da grade curricular.
Podemos enxergar na escola como o espaço mais adequado para mudar esse cenário. Diferentemente do ambiente familiar, onde o tema pode ser tabu ou simplesmente ausente, a sala de aula alcança todas as crianças, adolescentes e jovens, independentemente de sua origem. E o professor, nesse contexto, é o principal agente de transformação.
Um aluno que aprende a poupar, planejar e consumir com consciência carrega esse conhecimento para a vida adulta — e multiplica esse aprendizado em sua família e comunidade. O professor como esse agente de transformação, facilita o diálogo sobre o tema educação financeira, principalmente por estar na linha de frente, acompanhando o dia a dia das nossas crianças, adolescentes e jovens.
O professor não precisa ser um grande especialista em investimentos para ensinar educação financeira, mas sim possuir a capacidade de fazer perguntas, provocar reflexões e criar um elo de ligação do tema com o cotidiano do aluno. O grande papel do professor é levar para a sala de aula temas como: consumo consciente, planejamento financeiro, escolhas financeiras e suas consequências.
Sobre o Autor:
Assis Moreira é Educador Financeiro e Diretor Presidente do Sicoob Cooper7. Contador, professor universitário e empresário contábil. Diretor financeiro da APOEF.
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