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Dia das Crianças: como demonstrar afeto sem transformar presentes em dívidas

há 2 horas
3 min de leitura
Família compartilhando um momento com uma criança e refletindo sobre presentes e planejamento financeiro.
Celebrar o Dia das Crianças também é valorizar o tempo compartilhado e respeitar o orçamento familiar.

Coluna Dinheiro e Comportamento


Publicado em 09/10/2026 / 16:20

Por Ricardo São Pedro (@radiumweb)


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O Dia das Crianças costuma despertar o desejo de presentear, proporcionar momentos especiais e realizar os pedidos dos filhos. Mas, em meio às campanhas publicitárias e às comparações com outras famílias, uma pergunta merece atenção: até que ponto estamos comprando porque queremos presentear ou porque sentimos que precisamos demonstrar nosso afeto por meio do consumo?


Uma pesquisa divulgada pelo SPC Brasil e pela CNDL indica que 74% dos consumidores pretendiam comprar presentes para o Dia das Crianças de 2026, com gasto médio estimado de R$ 308. O levantamento também apontou que 22% pretendiam gastar além de suas possibilidades financeiras.


Esses dados ajudam a refletir sobre uma questão que vai além do orçamento: a relação entre dinheiro, emoções e expectativas.


Quando o presente vira uma prova de amor


É natural querer oferecer o melhor aos filhos. O problema começa quando o preço do presente passa a ser interpretado como uma medida de carinho, dedicação ou sucesso como pai e mãe.


A publicidade, as redes sociais e a convivência com outras famílias podem intensificar essa percepção. Ao ver crianças recebendo presentes caros, alguns responsáveis sentem que também precisam oferecer algo semelhante, mesmo quando isso não cabe no orçamento.


Mas o valor emocional de um presente não é determinado exclusivamente pelo preço. Uma escolha simples, feita com atenção aos interesses da criança, pode ter significado muito maior do que uma compra cara realizada por pressão.


O custo das expectativas


O risco financeiro aparece quando a vontade de agradar se transforma em parcelas, uso do limite do cartão ou adiamento de despesas importantes.


Uma prestação aparentemente pequena pode se somar a outras e comprometer a renda dos meses seguintes. Quando isso acontece, uma comemoração planejada para proporcionar alegria pode gerar preocupação financeira depois da data.


Antes de comprar, vale estabelecer um limite de gastos que preserve as despesas essenciais e os compromissos já assumidos. Se o presente desejado ultrapassar esse valor, considerar uma alternativa ou planejar a compra para outro momento pode ser uma decisão responsável.


Afeto também se constrói com experiências


Existem maneiras de celebrar que não dependem de grandes gastos: preparar uma atividade em família, organizar um piquenique, visitar um parque, brincar juntos ou criar um presente personalizado.


Essas experiências não substituem necessariamente os presentes, mas ampliam a compreensão de que carinho também se manifesta por meio da presença, da escuta e do tempo compartilhado.


A data pode ainda abrir espaço para conversas adequadas à idade sobre escolhas, prioridades e limites financeiros. Em vez de gerar culpa por não comprar tudo, a educação financeira pode ajudar as crianças a compreender que famílias diferentes possuem realidades e possibilidades diferentes.


Três perguntas antes de comprar


Antes de decidir, pergunte:


  • Quanto podemos gastar sem comprometer as despesas essenciais?

  • Precisamos comprar agora ou podemos planejar melhor?

  • Que experiência especial podemos proporcionar sem depender de uma compra cara?


Não existe um valor ideal que sirva para todas as famílias. O importante é respeitar a própria realidade financeira.


Neste Dia das Crianças, lembre-se: presentear pode ser uma demonstração de carinho, mas não precisa se transformar em uma prova de amor nem em uma dívida.


Educar financeiramente também é ensinar, pelo exemplo, que afeto não se mede pelo preço e que cuidar de quem amamos inclui cuidar do equilíbrio financeiro da família.


Sobre o Autor:


Ricardo São Pedro é engenheiro civil com MBA em Planejamento Financeiro Pessoal e Familiar. Atua como educador e planejador financeiro, promovendo a educação financeira como instrumento de cidadania e transformação social. Idealizador da web rádio Radium, produz e apresenta programas que integram finanças, bem-estar e temas relevantes para a vida dos brasileiros. Também assina artigos no blog da rádio e participa de projetos voltados à inclusão e à segurança financeira das famílias.

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