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CRESCIMENTO ECONÔMICO BRASILEIRO 2023-2026: ANÁLISE TÉCNICA DO PIB DE 10%

Infográfico mostrando o crescimento acumulado de 10% no PIB brasileiro entre 2023 e 2026, com gráfico de linha verde indicando taxas anuais de 2,9% em 2023, 3,3% em 2024, 2,35% em 2025 e 1,9% em 2026, além de ícones representando FBCF, inflação, Selic e capacidade produtiva
Evolução do PIB brasileiro 2023-2026, mostrando crescimento acumulado de 10% com trajetória de desaceleração e principais indicadores econômicos (FBCF, inflação, Selic e capacidade produtiva).

Publicado em 28/01/2026 / 21:00

Por Ricardo São Pedro (@radiumweb)

O crescimento econômico do Brasil entre 2023 e 2026 deverá registrar um avanço acumulado superior a 10% no PIB. Este artigo explica em detalhes o que esses números significam, quais mecanismos econômicos estão por trás desse crescimento e os desafios para a sustentabilidade econômica do país.


OS NÚMEROS DO PIB BRASILEIRO: PERÍODO 2023-2026


A projeção de crescimento do PIB acumulado se baseia em dados consolidados e estimativas de mercado para o período:


• 2023: 2,9% (dado oficial IBGE)

• 2024: aproximadamente 3,3% (estimativa consolidada)

• 2025: aproximadamente 2,3% (projeção Focus)

• 2026: aproximadamente 1,9% (projeção de mercado)


Esses números colocam o crescimento econômico brasileiro acima das expectativas iniciais para a década, mas levantam questões importantes sobre a natureza e qualidade desse crescimento.


CRESCIMENTO POR DEMANDA VS. CRESCIMENTO ESTRUTURAL: ENTENDA A DIFERENÇA


Para compreender a economia brasileira atual, é fundamental distinguir entre dois modelos de crescimento econômico:


1. Crescimento por Demanda (Baseado em Consumo)


Este modelo ocorre quando há aumento no poder de compra da população através de:


• Transferências de renda e programas sociais

• Aumentos do salário mínimo acima da inflação

• Antecipação de recursos (como precatórios)

• Ampliação do crédito ao consumidor


O setor de serviços e comércio responde rapidamente a esse estímulo, representando cerca de 70% do PIB brasileiro. No entanto, esse crescimento depende da continuidade dos estímulos fiscais.


2. Crescimento Estrutural (Baseado em Investimento)


O crescimento sustentável resulta de:


• Investimentos em infraestrutura logística

• Modernização do parque industrial

• Aumento da capacidade produtiva

• Inovação tecnológica e produtividade


Este tipo de crescimento é mais lento para se materializar, mas gera desenvolvimento econômico de longo prazo sem depender de estímulos contínuos.


HIATO DO PRODUTO: O QUE É E POR QUE IMPORTA PARA A INFLAÇÃO


Um dos principais indicadores econômicos para avaliar a saúde do crescimento é o hiato do produto, conceito raramente explicado ao público, mas essencial para entender a dinâmica atual da economia.


Hiato do produto é a diferença entre o nível de produção efetiva da economia e o seu produto potencial, definido como o nível sustentável de produção compatível com o uso normal de capital, trabalho e tecnologia, sem gerar pressões inflacionárias.


Como o Hiato Positivo Gera Inflação


Quando ocorre um hiato positivo no Brasil:


1. Demanda aquecida: A população tem mais renda e quer consumir mais produtos e serviços

2. Capacidade limitada: As fábricas, lojas e prestadores de serviços não conseguem expandir produção rapidamente

3. Pressão nos preços: Com mais compradores do que produtos disponíveis, os preços sobem naturalmente

4. Inflação de serviços: Setores que dependem de mão de obra (como alimentação fora do lar, serviços pessoais) sofrem pressão salarial

5. Resposta do Banco Central: Para controlar a inflação, a taxa Selic precisa subir, encarecendo o crédito


Entre 2024 e 2026, o Brasil operou com hiato do produto positivo, explicando por que a inflação de serviços se mostrou persistente mesmo com inflação de bens industrializados controlada.


FBCF: A TAXA DE INVESTIMENTO QUE DEFINE O FUTURO ECONÔMICO


A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) é um indicador pouco conhecido pelo público, mas fundamental: mede quanto o país investe em máquinas, equipamentos, construções e infraestrutura.


Por Que a FBCF É Importante


A taxa de investimento da economia determina:


• Capacidade futura de produção

• Competitividade internacional

• Geração de empregos qualificados

• Crescimento sustentável sem pressão inflacionária


O Desempenho da FBCF no Período 2023-2026


Durante o período analisado, a taxa de investimento brasileira permaneceu:


• Realizada: entre 17% e 18% do PIB

• Recomendada por especialistas: mínimo de 20% do PIB

• Países de crescimento acelerado: acima de 25% do PIB (como China e Coreia do Sul em seus períodos de expansão)


Essa diferença entre investimento real e necessário explica por que o crescimento brasileiro enfrenta gargalos de capacidade produtiva.


COMPARAÇÃO: CONSUMO VS. INVESTIMENTO NA ECONOMIA BRASILEIRA


A composição do PIB brasileiro no período mostra um desequilíbrio:

Componente da Demanda Agregada

Participação no PIB

Dinâmica no período 2023–2026

Consumo das famílias

~65% a 70%

Crescimento significativo

Investimento (FBCF)

~17% a 18%

Crescimento modesto

Gastos do governo

~20%

Expansão controlada

Exportações líquidas

Variável

Contribuição neutra

Essa estrutura revela que o motor do crescimento foi predominantemente o consumo interno, enquanto o investimento produtivo não acompanhou o mesmo ritmo.


ASPECTOS POSITIVOS DO CRESCIMENTO ECONÔMICO 2023-2026


É importante reconhecer os benefícios do crescimento econômico registrado:


• Redução da pobreza: Programas de transferência de renda tiraram milhões de famílias da linha da pobreza

• Aquecimento do mercado interno: Setor de comércio e serviços registrou expansão consistente

• Geração de empregos: Taxa de desemprego atingiu mínimas históricas

• Formalização do trabalho: Aumento de vínculos formais de emprego

• Recuperação pós-pandemia: Economia superou os impactos da COVID-19


DESAFIOS ESTRUTURAIS DA ECONOMIA BRASILEIRA


Apesar dos avanços, os desafios econômicos do Brasil persistem:


1. Pressão Inflacionária Persistente


A inflação de serviços manteve-se acima da meta, especialmente em:


• Alimentação fora do domicílio

• Serviços pessoais

• Educação e saúde privada

• Transportes urbanos


2. Juros Elevados


Para controlar a inflação associada a um hiato do produto positivo, o Banco Central precisou manter a taxa Selic em patamares elevados. No entanto, esse movimento não decorre apenas da dinâmica inflacionária doméstica. O risco país também exerce papel relevante, ao exigir um prêmio adicional de retorno para que investidores mantenham recursos aplicados na economia brasileira.


Esse ambiente de juros elevados:


  • Encarece o crédito para empresas e famílias;

  • Reduz o investimento privado, especialmente em projetos de longo prazo;

  • Aumenta o custo da dívida pública, pressionando o resultado fiscal;

  • Limita a potência dos mecanismos de transmissão da política monetária sobre o crescimento econômico.


Ao elevar o prêmio de risco embutido nas taxas de juros, a percepção de fragilidade fiscal, incertezas institucionais e volatilidade externa restringe o espaço para uma redução mais rápida e consistente da Selic, mesmo em cenários de desaceleração da atividade.


3. Baixo Investimento em Capacidade Produtiva


A FBCF abaixo de 20% cria um círculo vicioso:


• Menos máquinas e equipamentos novos

• Produtividade estagnada

• Dificuldade em atender demanda sem pressionar preços

• Competitividade internacional comprometida


4. Dependência de Estímulos Fiscais


Um crescimento baseado em consumo estimulado requer:


• Gastos públicos contínuos

• Pressão sobre as contas públicas

• Risco de insustentabilidade fiscal


SUSTENTABILIDADE DO CRESCIMENTO: O QUE DIZEM OS ESPECIALISTAS


Economistas de diferentes correntes concordam que a sustentabilidade do crescimento brasileiro depende de equilibrar:


1. Manutenção da renda: Políticas sociais que protejam as famílias mais vulneráveis

2. Aumento dos investimentos: Criar ambiente favorável para FBCF crescer acima de 20% do PIB

3. Controle fiscal: Equilibrar contas públicas para evitar pressão inflacionária

4. Reformas estruturais: Melhorar ambiente de negócios, infraestrutura e educação

5. Produtividade: Investir em tecnologia, inovação e qualificação profissional


PERSPECTIVAS PARA O PRÓXIMO CICLO ECONÔMICO


Olhando para o futuro da economia brasileira pós-2026, alguns cenários se desenham:


Cenário 1: Ajuste com Desaceleração


Se os estímulos fiscais forem reduzidos sem que o investimento produtivo tenha aumentado, o país pode enfrentar:


• Desaceleração do PIB para próximo de 1% ao ano

• Inflação gradualmente controlada

• Queda dos juros de forma lenta


Cenário 2: Transição Para Crescimento Sustentável


Se houver aumento significativo da FBCF, o Brasil pode alcançar:


• Crescimento consistente de 2,5% a 3% ao ano

• Inflação controlada sem necessidade de juros muito altos

• Redução do hiato do produto


Cenário 3: Continuidade do Estímulo com Riscos


Manter estímulos sem aumentar capacidade produtiva pode resultar em:


• Inflação acima da meta persistente

• Juros estruturalmente elevados

• Deterioração fiscal


O SALDO DO CRESCIMENTO DE 10% NO PIB BRASILEIRO


Um crescimento acumulado de 10% em quatro anos é expressivo e trouxe benefícios reais para milhões de brasileiros. No entanto, a análise técnica revela que a composição desse crescimento, fortemente baseada em consumo com investimento produtivo limitado, levanta questões importantes sobre sua sustentabilidade.


O principal desafio para a economia brasileira no próximo ciclo, independente da gestão política, será equilibrar:


• Proteção social e renda das famílias

• Aumento robusto dos investimentos produtivos

• Controle inflacionário sem sufocar o crescimento

• Criação de condições para crescimento autossustentável


PARTICIPE DO DEBATE ECONÔMICO


Questões para reflexão:


• Como incentivar o investimento privado sem comprometer os ganhos sociais?

• Quais reformas estruturais são prioritárias para aumentar a produtividade?

• É possível equilibrar crescimento com estabilidade de preços no Brasil?

• Que papel o setor privado deve ter na expansão da capacidade produtiva?


Deixe seu comentário abaixo e compartilhe este artigo para que mais pessoas entendam os fundamentos do crescimento econômico brasileiro.


GLOSSÁRIO DE TERMOS ECONÔMICOS


PIB (Produto Interno Bruto): Soma de todos os bens e serviços produzidos em um país em determinado período.


Hiato do Produto: Diferença entre a produção efetiva e a capacidade máxima da economia.


FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo): Investimentos em bens de capital (máquinas, equipamentos, construções) que aumentam a capacidade produtiva.


Taxa Selic: Taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Banco Central.


Inflação de Serviços: Aumento de preços especificamente no setor de serviços, geralmente mais resistente que a inflação de bens.


Crescimento Estrutural: Expansão econômica baseada em aumento da capacidade produtiva, não apenas em estímulos temporários.

Ricardo São Pedro é engenheiro civil com MBA em Planejamento Financeiro Pessoal e Familiar. Atua como educador e planejador financeiro, promovendo a educação financeira como instrumento de cidadania e transformação social. Idealizador da web rádio Radium, produz e apresenta programas que integram finanças, bem-estar e temas relevantes para a vida dos brasileiros. Também assina artigos no blog da rádio e participa de projetos voltados à inclusão e à segurança financeira das famílias.


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