Dindin entre nós – o lado oculto das discussões sobre finanças
- Janaina Gimael
- há 18 horas
- 4 min de leitura
Para que a comunicação sobre dinheiro flua melhor entre um casal, é preciso entender o que cada parte do relacionamento carrega dentro de si

Publicado em 17/07/2026 / 18:00
Por Janaina Gimael (@janaina.dindin) (@apoefoficial)
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Ah, o dinheiro! Se pensarmos na palavra considerando apenas seu significado no dicionário, podemos resumir que se trata de uma moeda de troca. Mas o fato é que dinheiro tem significados que vão muito além de uma recompensa monetária por um serviço ou bem. Quando o tema é dinheiro, as emoções podem ficar à flor da pele, já que ele traz lembranças, aprendizados, crenças e traumas que podem estar escondidos, mas que fazem diferença na forma como agimos no dia a dia.
O que você aprendeu sobre dinheiro quando era pequeno? O que seus pais ou os adultos próximos te faziam perceber e sentir? Dinheiro era motivo de alegria ou um tema para discussão e raiva? Era difícil ganhar dinheiro na família? Ou dinheiro corria solto? Tudo isso contribuiu para a sua formação como adulto. E hoje, se estiver vivendo a vida com alguém, um companheiro ou companheira, pode ser motivo de muitas das brigas conjugais que você sequer imagina.
Falar sobre dinheiro em casa é um desafio para boa parte dos casais. É uma espécie de tabu comentar sobre gastos, dívidas e ganhos financeiros. Mas quando o objetivo é crescer junto, não tem jeito. Conversas difíceis precisam acontecer. E para que se tornem mais fáceis é fundamental que cada parte da relação busque entender os porquês de cada um agir da maneira que age e esteja disposto a falar sem críticas nem julgamentos, e sim visando ao desenvolvimento conjunto.
Costumo dizer que tudo é relativo. Por exemplo: uma criança que nasceu na fartura jamais pensará de forma similar a uma criança que viveu na escassez. É natural que elas vejam o mundo de forma diferente. E está tudo bem! Também é totalmente possível ir aprendendo a enxergar possibilidades novas ao longo da jornada. Esse, aliás, é o desafio, e é o que torna a vida melhor.
Para tratar de relacionamento e dinheiro, eu e meu marido, o planejador financeiro e mentor de finanças para casais, Thiago Martello, lançamos nesse ano o livro “Dindin entre nós”. Mas não falamos de números, apesar de darmos orientações e compartilharmos erros e aprendizados. Falamos especialmente de comunicação, aceitação e da necessidade de ampliar o entendimento dentro de cada relação para que tratar de finanças se torne algo um pouco mais leve.
Sabemos que não é fácil começar assuntos que envolvem dinheiro dentro de casa, especialmente quando o casal mais precisa sentar para falar sobre receitas, despesas, fazer combinados para enxugar gastos ou investir. E quando não há espaço para esse tipo de conversa, cada lado da relação começa a sentir uma certa ansiedade e solidão porque não pode compartilhar o que pensa sem que haja brigas acaloradas. Já vivenciou algo assim?
Recentemente participei de uma palestra onde dois homens vieram comentar comigo sobre o medo de falar sobre dinheiro com as parceiras. Temiam que a simples menção ao tema pudesse gerar brigas conjugais, mas ao mesmo tempo estavam temerosos de que o não falar estivesse prejudicando o futuro financeiro da família. Como fazer?
No livro, eu e Thiago compartilhamos ferramentas que usamos aqui em casa, como casal, para melhorar a nossa comunicação e a compreensão de nossas histórias. Não pense que porque somos da área de educação financeira não temos conflitos. Nos casamos já adultos, cada qual com sua história e forma de fazer as coisas. Já tivemos e temos muitas conversas difíceis, mas ao longo dos anos fomos aprendendo a entender melhor os porquês do outro, a chamar para a conversa sem julgamentos e ofensas, e a focar mais em resultado. É um aprendizado constante e sempre será!
Algo que pode ajudar bastante e também nos ajudou é compreender princípios de comunicação não violenta, a CNV. Na internet é possível encontrar muito material! Também falamos no livro de constelação familiar, linguagens do amor, temperamentos e neurociência. É bem possível que ao menos uma dessas ferramentas possa ser útil no seu relacionamento.
Acredito que a partir da melhora na comunicação, o tema dinheiro possa ser conversado com mais empatia dentro de casa, fazendo com que o casal consiga estabelecer planos conjuntos, investir para realizar sonhos e também garantir um futuro mais tranquilo. E digo mais, para os que têm filhos, conseguir conversar sobre temas difíceis de forma mais empática será sempre um ótimo exemplo. O objetivo, no fim das contas, será sempre unir para crescer. Quando cada rema para um lado a chegada ao porto final se torna muito mais difícil!
Janaina Gimael é jornalista e educadora financeira e escreve sobre dinheiro e suas vertentes há mais de 20 anos. Tem especialização em economia para jornalistas, psicologia econômica e psicologia positiva, além de pós-graduada em Desenvolvimento Humano e Neurociências e pós-graduanda em Constelação Familiar. É membro do conselho de comunicação da APOEF.
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