Inflação desacelera para 0,32%, mas ainda preocupa: o que realmente mudou em outubro?

Coluna Economia e Seu Dia a Dia
Publicado em 24/10/2026 / 09:30
Por Ricardo São Pedro (@radiumweb)
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A inflação brasileira perdeu força em outubro, mas ainda exige atenção das famílias. O IPCA-15, indicador divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), subiu 0,32%, menos da metade dos 0,70% registrados em setembro. O resultado também ficou abaixo das expectativas do mercado, que apontavam para uma alta próxima de 0,43%.
A notícia é positiva, mas precisa ser interpretada corretamente. Em 12 meses, o IPCA-15 acumulou alta de 4,62%, acima do teto de 4,5% do intervalo de tolerância da meta de inflação.
Inflação menor não significa preços mais baixos
Quando a inflação desacelera, os preços continuam subindo, mas em um ritmo menor. Isso é diferente de uma deflação, situação em que ocorre uma queda generalizada dos preços.
Imagine uma compra de supermercado que custava R$ 200. Se os preços aumentarem, essa mesma compra poderá custar mais no mês seguinte, mesmo que a inflação tenha diminuído em relação ao período anterior.
É por isso que a desaceleração da inflação não representa um retorno automático ao poder de compra que as famílias tinham antes. Para recuperar parte desse poder de compra, a renda precisa acompanhar a evolução dos preços ao longo do tempo.
O que subiu e o que caiu em outubro?
Os números do IPCA-15 mostram que os componentes da inflação não se comportaram da mesma maneira. Alimentação e bebidas subiram 0,88%, enquanto a alimentação no domicílio avançou 1,01%. Os combustíveis registraram alta de 1,20%, pressionando despesas importantes para quem depende de transporte.
Na direção oposta, a energia elétrica residencial caiu 0,89%, e as passagens aéreas recuaram 9,24%.
Essa diferença ajuda a explicar por que a inflação é sentida de maneira distinta pelas famílias. Quem gasta uma parcela maior da renda com alimentação pode perceber uma pressão mais intensa no orçamento, enquanto outras pessoas podem ser beneficiadas pela redução de determinados serviços ou despesas.
O índice oficial representa uma média de preços de uma cesta de consumo. Portanto, não significa que todas as famílias tenham enfrentado exatamente a mesma variação no custo de vida.
Como isso afeta o planejamento financeiro?
A inflação também influencia as decisões sobre juros e investimentos. Quando as pressões sobre os preços persistem, o Banco Central precisa considerar os riscos para a convergência da inflação à meta ao definir a política monetária. Juros elevados, por sua vez, podem encarecer empréstimos e financiamentos.
Para as famílias, o caminho começa com medidas práticas: acompanhar os gastos essenciais, comparar preços, revisar despesas recorrentes e evitar assumir parcelas sem avaliar o orçamento futuro.
Também vale observar se a renda está acompanhando o custo de vida. Um orçamento que funcionava há alguns meses pode precisar de ajustes quando alimentação, transporte e outras despesas aumentam.
O resultado de outubro mostra uma inflação mensal mais moderada, mas o acumulado em 12 meses reforça que o desafio ainda não terminou.
A inflação perdeu velocidade, mas ainda não perdeu importância para o orçamento das famílias.
Sobre o Autor:
Ricardo São Pedro é engenheiro civil com MBA em Planejamento Financeiro Pessoal e Familiar. Atua como educador e planejador financeiro, promovendo a educação financeira como instrumento de cidadania e transformação social. Idealizador da web rádio Radium, produz e apresenta programas que integram finanças, bem-estar e temas relevantes para a vida dos brasileiros. Também assina artigos no blog da rádio e participa de projetos voltados à inclusão e à segurança financeira das famílias.
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