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Os Descontos Indevidos no INSS: Como Bilhões Foram Desviados dos Benefícios de Aposentados Brasileiros

Atualizado: 18 de jul. de 2025

Idoso segurando extrato do INSS com descontos destacados em vermelho, representando as fraudes nos benefícios previdenciários
Aposentados brasileiros descobriram descontos não autorizados em seus benefícios do INSS, totalizando mais de R$ 6,3 bilhões desviados entre 2019 e 2024.

Publicado em 12/07/2025

Por Ricardo São Pedro (@radiumweb)


Por anos, aposentados de todo o Brasil, especialmente os rurais, foram vítimas silenciosas de um esquema bilionário que drenou recursos diretamente de seus benefícios previdenciários. A fraude, agora desvendada por órgãos de controle como a CGU e a Polícia Federal, expôs um mecanismo engenhoso — e perverso — que envolveu sindicatos, associações, dirigentes políticos e a própria máquina pública. Pior: o ressarcimento aos prejudicados, anunciado com rapidez incomum, está sendo feito, em sua maior parte, com dinheiro público — pago por todos nós.


Como funcionava o esquema de descontos indevidos no INSS


Ao se aposentar, muitos beneficiários — especialmente os aposentados rurais, que se tornaram o principal alvo desse esquema — já encontravam em seus primeiros extratos descontos mensais realizados por supostas associações representativas. A promessa era de serviços como assistência jurídica, convênios de saúde, descontos em medicamentos e até auxílio funerário. Na prática, porém, a maioria jamais usufruiu de qualquer benefício.


A auditoria feita pela CGU é categórica: mais de 97% dos entrevistados não reconheceram ter autorizado os descontos. Muitos sequer sabiam da existência das entidades que apareciam nos contracheques.


Esses descontos, que variavam entre R$ 20 e R$ 50 mensais, pareciam pequenos. Mas multiplicados por milhares de aposentados — muitos dos quais nem sabiam estar "associados" —, geraram uma receita bilionária para essas instituições.


Uma fraude com aparência de legalidade


A legislação permitia que o INSS firmasse Acordos de Cooperação Técnica com entidades que se diziam representativas. Com esse acordo em mãos, as associações passaram a ter o direito de descontar valores diretamente dos benefícios previdenciários, sem qualquer controle externo eficaz.


Entre 2019 e 2024, o total estimado de valores desviados ultrapassa R$ 6,3 bilhões.


A proximidade dessas entidades com figuras políticas poderosas levantou questionamentos sobre a real finalidade de seus acordos com o INSS. Em vez de atuar em prol dos aposentados, o que se vê são indícios de enriquecimento ilícito, desvio de finalidade e uso político do sistema previdenciário.


O ressarcimento: rápido demais, com dinheiro público


Se o golpe foi construído ao longo de anos, o ressarcimento foi decidido em velocidade recorde. O governo anunciou que iniciaria a devolução dos valores cobrados indevidamente, com milhares de beneficiários já recebendo restituições diretamente na folha de pagamento.


Mas de onde vem esse dinheiro?


Apesar de a AGU ter conseguido bloquear cerca de R$ 2,5 bilhões em bens das associações, a devolução está sendo feita, em sua maior parte, com recursos da Previdência Social e, possivelmente, do Tesouro Nacional — ou seja, com dinheiro dos impostos pagos pela população.


Em outras palavras, o povo brasileiro está pagando a conta de um golpe arquitetado dentro do próprio sistema público, com participação de entidades que deveriam proteger os aposentados.


O silêncio das investigações


Outro ponto que chama atenção é a assimetria entre a rapidez da devolução e o andamento das investigações. As ações judiciais da AGU inicialmente excluíram entidades politicamente ligadas ao governo, como a Contag, sendo incluídas apenas após pressão pública.


Ao mesmo tempo, muitos parlamentares aparecem como signatários de emendas que favoreceram as associações, inclusive modificando regras sobre os descontos diretos nos benefícios durante a tramitação da MP 871, entre 2019 e 2020.


As investigações da Polícia Federal ainda estão em andamento, com operações realizadas em diversos estados, mas ainda sem resultados conclusivos sobre responsabilização criminal.


A farsa travestida de assistência


Talvez o aspecto mais cruel de toda essa história seja a forma como a fraude foi sustentada: usando como justificativa a proteção de idosos vulneráveis. As entidades se apresentavam como defensoras dos direitos dos aposentados — principalmente os beneficiários rurais, que se tornaram instrumentos preferenciais para o desvio indireto de recursos públicos através desses descontos — mas, na verdade, transformaram esses mesmos idosos em alvo fácil de arrecadação constante e silenciosa.


Criou-se um modelo que legalizou o desvio de dinheiro público, sob o manto de assistência social.


Por que precisamos falar sobre isso


Este escândalo não é apenas uma história de corrupção. É uma denúncia sobre como o Estado pode falhar — ou se omitir — diante de interesses organizados. É também um alerta: não basta devolver o dinheiro. É preciso responsabilizar quem construiu e sustentou esse sistema.


A CPI em andamento no Congresso pode ser uma oportunidade de esclarecer os fatos e punir os responsáveis — inclusive políticos, se for o caso. Mas isso só acontecerá se a sociedade continuar atenta e cobrando respostas.


A sua indignação, caro leitor, é legítima. E precisa ecoar.


📌 Continue acompanhando nosso blog, iremos continuar a atualizar esse artigo com novos desdobramentos sobre o assunto. Aqui, você fica por dentro das conexões entre política, economia e seus impactos diretos no nosso dia a dia, no bolso de cada um de nós.

Fontes consultadas:

  • Controladoria-Geral da União (CGU) - Relatório de auditoria sobre descontos indevidos no INSS

  • Polícia Federal - Operação "Peneira" sobre fraudes nos benefícios previdenciários

  • Advocacia-Geral da União (AGU) - Ações judiciais para ressarcimento aos cofres públicos

  • Agência Brasil - Cobertura jornalística sobre o caso

  • G1 - Reportagens sobre as investigações e valores envolvidos

  • Folha de S.Paulo - Matérias sobre entidades investigadas

  • CNN Brasil - Acompanhamento das operações policiais

  • O Globo - Reportagens sobre a CPI dos descontos indevidos

  • Ministério da Previdência Social - Dados oficiais sobre suspensão dos acordos

  • Congresso Nacional - Informações sobre a CPI em andamento

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