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Você escolhe o que fazer com o seu dinheiro ou segue o que todo mundo faz?

há 11 horas
6 min de leitura
Pessoa refletindo diante de diferentes influências sociais representadas por família, amigos, redes sociais e consumo, simbolizando a importância da autonomia nas decisões financeiras.
Nossas escolhas financeiras são influenciadas pelo ambiente ao nosso redor, mas desenvolver critérios próprios é essencial para tomar decisões alinhadas aos nossos objetivos.

Publicado em 11/09/2026 / 20:35

Por Silvia Alambert Hala (@silviaalambert_edufin)


Ouça o Artigo

Como o comportamento das pessoas ao nosso redor influencia nossas decisões financeiras? Entenda o papel das normas sociais no comportamento financeiro e faça uma atividade prática com crianças e jovens.


Acreditamos que tomamos decisões financeiras de forma totalmente racional. Gostamos de pensar que compramos, poupamos ou investimos depois de analisar informações, comparar opções e calcular riscos, mas a realidade é um pouco diferente.


O comportamento financeiro é influenciado não apenas pelo que sabemos sobre dinheiro, mas também pelas pessoas que nos cercam: família, amigos, colegas, influenciadores digitais e até desconhecidos podem afetar nossas escolhas sem que percebamos.


Imagine que você abre o aplicativo do banco e encontra duas mensagens:


"Você deveria poupar mais para o seu futuro."


E:


"Pessoas como você estão poupando para o futuro."


Qual delas teria mais chance de influenciar seu comportamento?


Embora a primeira pareça mais direta, pesquisas mostram que frequentemente somos mais influenciados quando observamos o que outras pessoas fazem do que quando simplesmente recebemos orientações sobre o que deveríamos fazer.


O comportamento financeiro é também um comportamento social


Quando falamos em educação financeira, normalmente pensamos em temas como orçamento, poupança, investimentos e consumo consciente. Todos esses assuntos são importantes.


No entanto, existe uma dimensão muitas vezes esquecida: o impacto das normas sociais sobre nossas decisões financeiras.


Normas sociais são as regras não escritas que indicam quais comportamentos parecem normais, comuns ou aceitáveis em determinado grupo.


Elas respondem perguntas como:


  • O que as pessoas costumam fazer?

  • O que pessoas parecidas comigo fazem?

  • Como é esperado que eu me comporte?

  • O que é considerado sucesso neste grupo?


Essas percepções influenciam nossas ações diariamente.


Uma criança observa se os pais pesquisam preços antes de comprar; um adolescente percebe quais marcas são valorizadas pelos colegas; um adulto acompanha o estilo de vida das pessoas que segue nas redes sociais.


Sem perceber, todos estamos aprendendo o que parece ser "normal" em relação ao dinheiro.


Quando seguir o grupo pode ser um problema


O fato de muitas pessoas fazerem algo não significa que aquela seja a melhor decisão.


Pense em algumas situações comuns:


  • Quase todos os colegas trocam de celular com frequência.

  • Muitas pessoas parcelam compras em várias prestações.

  • Amigos compram produtos apenas porque estão em alta.

  • Influenciadores divulgam investimentos da moda.

  • Grupos valorizam determinados padrões de consumo.


Quando observamos esses comportamentos repetidamente, nosso cérebro pode interpretar que são naturalmente corretos, mas há uma diferença importante entre algo ser popular e algo ser adequado.


Uma escolha financeira deve considerar:


  • Sua realidade financeira.

  • Seus objetivos.

  • Suas prioridades.

  • Seus valores.

  • Suas necessidades.


Nem tudo o que funciona para os outros funcionará para você.


Por isso, uma das perguntas mais poderosas da educação financeira para crianças e jovens é:

"Eu realmente quero isso ou aprendi que deveria querer isso?"


A influência social também pode ser positiva


Felizmente, a influência social não é apenas um risco. Ela também pode ser uma poderosa ferramenta de aprendizagem.


Imagine uma criança que observa um familiar guardando parte do dinheiro recebido para alcançar um objetivo.


Ela aprende, na prática, que é possível:


  • Ter metas.

  • Planejar.

  • Esperar.

  • Fazer escolhas.

  • Pensar no futuro.


Nesse caso, o exemplo vale mais do que muitas explicações.


Afinal, comportamentos visíveis são mais fáceis de compreender do que conceitos abstratos.


Quando pais e educadores demonstram hábitos financeiros saudáveis, estão oferecendo modelos concretos que podem ser observados e aprendidos.


O papel da educação financeira


O objetivo da educação financeira não é fazer com que todas as pessoas tomem as mesmas decisões.


Uma pessoa pode escolher economizar para uma viagem; outra pode preferir investir em estudos; outra pode guardar recursos para realizar um sonho futuro.


Não existe uma única resposta correta.


O mais importante é que a decisão seja consciente.


Uma boa educação financeira ajuda crianças e jovens a:


  • Refletir antes de agir.

  • Identificar influências externas.

  • Avaliar consequências.

  • Desenvolver autonomia.

  • Criar critérios próprios para decidir.


Em vez de simplesmente seguir o grupo, eles aprendem a pensar por conta própria.


Quem influencia suas decisões?


Vivemos em uma época em que somos expostos constantemente às escolhas de outras pessoas.


Nas redes sociais, vemos viagens, compras, experiências e conquistas, mas raramente enxergamos:


  • As dívidas.

  • Os sacrifícios.

  • O planejamento.

  • Os erros.

  • As dificuldades financeiras.


Uma foto mostra o resultado.


Poucas vezes mostra o processo.


Por isso, antes de copiar um comportamento financeiro, vale fazer algumas perguntas:


  • Essa pessoa tem objetivos parecidos com os meus?

  • A situação financeira dela é semelhante à minha?

  • Conheço as consequências dessa decisão?

  • Estou vendo a realidade completa ou apenas uma parte dela?

  • Essa escolha combina com o futuro que desejo construir?


Essas perguntas fortalecem a autonomia financeira e ajudam a evitar decisões impulsivas.


O exemplo ensina mais do que o discurso


Pais e educadores exercem enorme influência sobre o comportamento de consumo das crianças e dos jovens.


Muitas vezes, pequenas conversas do dia a dia geram grandes aprendizados.


Em vez de dizer apenas:


"Não vamos comprar isso."


Experimente explicar:


  • "Vamos esperar alguns dias antes de decidir."

  • "Estamos comparando preços."

  • "Temos outras prioridades neste momento."

  • "Estamos guardando dinheiro para uma meta importante."


Essas explicações mostram que decisões financeiras podem ser analisadas, discutidas e planejadas.


As pessoas ao nosso redor influenciam nossas escolhas financeiras muito mais do que imaginamos.


Isso não significa que devemos ignorar os outros, mas sim aprender a observar com senso crítico.


O verdadeiro objetivo da educação financeira para crianças e jovens não é ensinar regras prontas, e sim desenvolver autonomia para que cada pessoa seja capaz de tomar decisões alinhadas aos seus próprios objetivos.


A influência social pode inspirar, ensinar e abrir possibilidades, mas a decisão final precisa ser nossa.


Atividade prática: O que parece normal com o dinheiro?


Objetivo: ajudar crianças e jovens a identificar influências sociais sobre suas decisões financeiras.

Faixa etária: a partir de 8 anos

Duração: 30 a 45 minutos


Etapa 1: Observando ao redor


Peça que os participantes criem quatro colunas:


  • Família

  • Amigos

  • Escola

  • Internet e redes sociais


Em cada coluna, anote comportamentos relacionados ao dinheiro que costumam observar.


Etapa 2: Pensando sobre as mensagens


Escolha três comportamentos anotados e responda:


  • O que esse comportamento me ensina?

  • Ele pode me ajudar?

  • Ele pode me prejudicar?

  • Eu gostaria de agir da mesma forma?


Etapa 3: Popular ou apropriado?


Apresente situações como:


  • Todo mundo quer o mesmo tênis.

  • Quase todos estão comprando um novo celular.

  • Muitos colegas guardam parte da mesada.


Pergunte:


  • Isso é popular?

  • Isso é adequado para todas as pessoas?

  • O que eu deveria avaliar antes de decidir?


Etapa 4: Meu critério pessoal


Complete a frase:


"Antes de gastar meu dinheiro, vou me perguntar..."


Cada participante cria três perguntas que utilizará nas próximas decisões.


Exemplos:


  • Eu preciso disso?

  • Tenho recursos para isso?

  • Essa compra combina com meus objetivos?


Desafio da semana


Durante sete dias, registre uma situação em que percebeu influência de outras pessoas sobre uma decisão financeira.


Ao final da semana, reflita:


  • Minha decisão mudou depois que percebi a influência?

  • Eu escolhi por vontade própria ou para acompanhar o grupo?

  • Como me senti depois da decisão?


Observar os outros pode nos ensinar muito, mas maturidade financeira significa desenvolver a capacidade de aprender com as referências sem deixar que elas decidam por nós.


Infográfico


Infográfico sobre decisões financeiras, com jovem pensando, ícones de família, amigos, redes sociais e consumo; Radium.

Perguntas Frenquentes (FAQ)


O que são normas sociais?

Normas sociais são regras não escritas que indicam quais comportamentos parecem normais, comuns ou aceitáveis dentro de determinado grupo. Elas podem influenciar decisões financeiras sem que a pessoa perceba.

Família, amigos, colegas, influenciadores digitais e outras pessoas podem influenciar comportamentos relacionados a consumo, poupança e outras decisões financeiras. A percepção sobre o que outras pessoas fazem pode fazer determinados comportamentos parecerem normais ou desejáveis.

O comportamento das pessoas ao nosso redor pode funcionar como uma referência sobre aquilo que parece normal ou adequado. Por isso, podemos acabar adotando determinados hábitos financeiros sem avaliar se eles são compatíveis com nossa realidade, objetivos e prioridades.

Sim. A influência social também pode estimular comportamentos positivos. Quando crianças observam familiares planejando, poupando e fazendo escolhas conscientes, podem aprender esses comportamentos por meio do exemplo.

Uma estratégia é ensiná-las a identificar influências externas e desenvolver critérios próprios. Perguntas como “Eu realmente quero isso?”, “Eu preciso disso?” e “Essa escolha combina com meus objetivos?” podem ajudar crianças e jovens a refletir antes de decidir.

Silvia Alambert Hala é mãe, empreendedora educacional, cofundadora da www.creativewealthintl.org, empresa que atua no desenvolvimento de programas de educação financeira para crianças e jovens e treinamento de multiplicadores dos programas no Brasil e em diversos países há cerca de 20 anos, palestrante Tedx São Paulo Adventures, coautora do livro “Pai, Ensinas-me a Poupar” (editora Rei dos Livros, Portugal), educadora financeira de crianças, jovens e suas famílias.


Radium e Creative Wealth Internacional firmaram uma parceria colaborativa para fornecer educação financeira abrangente para brasileiros em todo o mundo.


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